Ano com regência de Exu?

Por Clarissa Monteagudo***

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2018 já começa tacando fogo em um dos maiores preconceitos. O orixá da Comunicação, do vermelho do fogo e dos mistérios e da elegância da cor negra, não é o diabo que a Igreja Católica pintou há centenas de anos. Consultei dois babalorixás, guardiões há décadas dos ensinamentos africanos no Brasil, para esclarecer: qual a regência dos orixás do ano? Paulo de Oxalá e Pai Renato Rodrigues (Pai Renato de Obaluaye) explicam: o belíssimo amálgama da energia de Yansã, Exu com Omulu dará o tom deste tempo. “É um ano de transformação, em que será preciso ter coragem, botar as coisas em movimento. É preciso acordar de manhã e mentalizar positivo, prosperidade, mesmo com dificuldades e dívidas. Será preciso encarar com coragem e colaborar para superar os males físicos, psicológicos e espirituais”, explica Pai Renato. Pai Paulo de Oxalá firma o pé na mesma terra de Omulu movimentada com os ventos de Yansã com Exu ao lado. “Algumas casas falaram de Xangô, mas acredito que seja por essa energia do fogo presente em Iansã. Mas o odu é (caminho do destino) é odu oworin, de Exu e Yansã. Como Exu já age constante em todas as esferas e na vida de todos, é o mais humano e quente, apaixonado, faz o erro virar acerto e o acerto virar erro, é Omulu que vai na frente. E equilibra a ousadia de Yansã. É um ano de transformações em que se deve lutar para superar e criar oportunidades. Não se pode ficar parado. Será a sabedoria de Omulu, que convida a botar o pé no freio, e a ousadia de Yansã”. Já sobre a demonização de Exu, Pai Paulo explica: “Isso foi imposto pelo catolicismo e agora pelas religiões evangélicas. Exu na África não tem chifres. É o orixá da comunicação. E leva o ogô, que é a representação do pênis, do falo, porque remete à sexualidade. É um orixá fácil de demonizar por suas cores, o preto e o vermelho, que tem a ver com o mistério e o fogo, e o tridente que na África tinha sete dentes representando os sete caminhos. Na Nigéria, uma vida com a dádiva dos orixás tem duas coisas, uma prole grande, muitos filhos, e a longevidade, morrer velho. Exu confere essa vida plena de amor, caminhos abertos e plenitude”. E o Exu de umbanda que o Salgueiro trouxe tão bem na Avenida? “É o Exu brasileiro, o Tranca-Rua, uma entidade de cura, que já teve vida, e tem grande evolução espiritual. É um guardião das casas de umbanda, uma entidade de luz”. Axé!!!!!

*** Clarissa Monteagudo – É jornalista com 16 anos de profissão dedicados à pesquisa e divulgação da cultura popular do Rio de Janeiro. Trabalhou em veículos de imprensa como O Dia, TV Record e EXTRA, onde ganhou prêmios como o Excelência Jornalística, da Sociedade Interamericana de Imprensa, e Camélia da Liberdade, pela série de trabalhos contra intolerância religiosa. Formada em Comunicação Social pela UFRJ, trabalha em assessoria de projetos na Secretaria de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos e desenvolve o projeto Histórias, oficinas de construção de perfis com objetivo de romper a invisibilidade social de populações em situação de vulnerabilidade.