Laurindo, tocador de cuíca carioca e irreverente, foi criado por Noel Rosa e apareceu pela primeira vez na letra do samba Triste cuíca, de 1935. Nos anos seguintes, nomes como Herivelto Martins, Wilson Baptista, Zé da Zilda, Haroldo Lobo e Heitor dos Prazeres abordaram o personagem em outros sambas, acrescentando novos capítulos à trajetória do morador do morro da Mangueira.

Ao realizar uma extensa pesquisa para outro projeto (Wilson Baptista – O samba foi sua glória – Casa da Palavra, 2013), Rodrigo Alzuguir, autor do espetáculo, deparou-se com Laurindo, personagem recorrente em várias composições: “Percebi que esse Laurindo era o mesmo de Triste cuíca e que outros compositores também fizeram sambas sobre o personagem. Compor músicas contando histórias de Laurindo virou uma brincadeira para um grupo de sambistas daquela geração dos anos 40”. No espetáculo, além de Laurindo, são retratados outros seis personagens também extraídos das letras de samba do período.

Ao mesclar realidade e ficção para contar a história do cuiqueiro, o autor resgata uma fase importante da cultura carioca: os seminais anos 1930 e 40, quando surgiram as primeiras escolas de samba, derivadas dos antigos blocos, e os desfiles que aconteciam na Praça Onze. Inseridas na dramaturgia, as músicas traçam a trajetória de Laurindo, de líder da escola de samba Lira do Amor de Mangueira, passando pelo triângulo amoroso com Zizica e Conceição e a luta contra os nazistas, até a sua volta ao morro como herói de guerra.

Texto original: Rodrigo Alzuguir; Direção: Sidnei Cruz; Direção musical: Luis Barcelos . Elenco: Marcos Sacramento, Claudia Ventura, Nina Wirtti, Vilma Melo, Rodrigo Alzuguir, Alexandre Rosa Moreno e Hugo Germano.