Com patrocínio da Brahma, Governo do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro, a Sebastiana – Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, que reúne alguns dos mais tradicionais blocos de rua da cidade, realiza, em 2020, 13 desfiles e apresentações de seus 11 blocos. Neste sábado, o Simpatia é Quase Amor faz o seu primeiro desfile, às 16h, em Ipanema, embalado pelo samba “Prazer, Sou Simpatia é Quase Amor”, criado pelos compositores Guilherme Sá, Janjão, Leandro Fregonesi, Beto Fininho, Eduardo Medrado, Tomaz Miranda e Mestre Penha, depois da polêmica tentativa de intervenção do prefeito no horário de saída do bloco. Será apesentada também a nova porta-bandeira Juliana Diniz, que é também a musa da Mangueira deste ano.

Ainda no sábado, o Bloco da Ansiedade, único cortejo de frevo do Rio, que desfila há 23 anos, leva a cultura do ritmo pernambucano com o toque dos metais da orquestra para as ruas de Laranjeiras, a partir das 14h. Este ano o bloco desfila pedindo solidariedade e uma nação sem preconceitos e com mais amor. “Tomara”, de Alceu Valença, será o hino do Ansiedade este ano, que abre o desfile embalado pelo frevo que diz: “Se as águas da Guanabara / Escorrem na minha cara / Uma nação solidária não para em nós / Tomara meu Deus, tomara / Uma nação solidária / Sem preconceitos, tomara / Uma nação como nós”.

No domingo, o clássico infantil Gigantes da Lira desfila na Pracinha da General Glicério, em Laranjeiras, às 9h, com o enredo “Ziriguidum sideral na lira dos Gigantes”, que traz como inspiração o céu, infinito brilhante da constelação da Lira, para o imaginário da trupe, das crianças e seus foliões. No mesmo horário, O Suvaco do Cristo, bloco querido do Jardim Botânico, vem com o enredo “Águas de Fevereiro”, com samba de Bráulio Tavares, Mu Chebabi e Roberto Moreno. Uma curiosidade é que Cynthia Howlett completa 20 anos como porta-bandeira do bloco.

Já na Região Portuária, o Escravos da Mauá sai em defesa da cultura nacional fazendo críticas aos tempos vividos de censura e falta de apoio à cultura. O bloco se concentra às 16h, na Rua Barão de Tefé, e o desfile acontece a partir das 17h.

Confira a programação dos blocos da Sebastiana:

PROGRAMAÇÃO

EVENTOS

14 de fevereiro – Bloco Virtual

O Virtual faz ensaios nas sextas antes do carnaval em local e horário divulgados no próprio dia nas redes sociais do bloco (https://www.facebook.com/blocovirtual/). Por causa da urgência dos tempos atuais, o tema deste ano é “Essa sede pode me matar”. Com a célebre frase da música de Dominguinhos e Anastasia, ‘Tenho Sede’, o bloco traz uma crítica sobre a situação de calamidade atual, “onde o risco a vida está eminente ao beber a água não potável; ao melhor no mar contaminado por petróleo; ou mesmo os perigos da sede de direitos e de ser o que deseja ser”, explica Lula Jardim, um dos organizadores do bloco. O desfile acontece na segunda de carnaval, dia 24, a partir das 8h, no Leme.

15 de fevereiro – Bloco das Carmelitas

O bloco de Santa Teresa faz ensaio neste sábado, na Praça Tiradentes, no Centro, das 16h às 22h. O bloco, que está completando 30 anos em 2020, vem com piadas e críticas à privatização dos bondes de Santa Teresa e outros assuntos e acontecimentos do país e do mundo, dos últimos 30 anos até hoje. O samba “De ‘pirralha’ espalhada a rebelde balzaca” (composto por Luiz Fernando, Luiza Fernanda, Marcelo Carvalho, Durval Borges, Danilo Firmino e Deivid Domênico) embala o desfile.

15 de fevereiro – Que Merda É Essa?

O bloco Que Merda é Essa? faz ensaio no bar Paz e Amor (local de saída do bloco, que desfila no domingo de carnaval, dia 23), em Ipanema, com o tema “Não há merda que não dure para sempre”, das 18h às 21h, com a roda Samba do Domenico, de Deivid Domenico. O Paz e Amor fica na Rua Garcia D’Avila, 173, esquina com Nascimento Silva.

DESFILES

PRÉ-CARNAVAL

15 de fevereiro

Bloco da Ansiedade – no dia 15 de fevereiro (sábado), às 15h, em frente ao bar Baixo Gago, na Rua Gago Coutinho, 51 – Laranjeiras. A concentração está marcada para às 14h.

O Bloco da Ansiedade, único cortejo de frevo do Rio, que desfila há 23 anos, leva a cultura do ritmo pernambucano com o toque dos metais da orquestra para as ruas de Laranjeiras, neste sábado, a partir das 14h. Este ano o bloco desfila pedindo solidariedade e uma nação sem preconceitos e com mais amor. “Tomara”, de Alceu Valença, será o hino do Ansiedade este ano, que abre o desfile embalado pelo frevo que diz: “Se as águas da Guanabara / Escorrem na minha cara / Uma nação solidária não para em nós / Tomara meu Deus, tomara / Uma nação solidária / Sem preconceitos, tomara / Uma nação como nós”. “A arte é eterna e também cíclica. Nossa homenagem em 2020 é mais do que uma celebração, é um pedido escrito pelo mestre Alceu Valença, que no momento atual se encaixa de maneira perfeita como uma verdadeira prece para tempos de mais tolerância e mais amor”, diz o fundador do bloco, o artista plástico e escultor pernambucano Fernando Carvalho. É dele a criação do boneco-símbolo do bloco, “Dom Dudu, o estressado”, inspirado nos bonecões de Olinda. O estandarte é da designer carioca Rose Vermelho. O bloco se concentra às 14h em frente ao bar Baixo Gago, na Rua Gago Coutinho, em Laranjeiras, e sai às 15h em direção ao Largo do Machado, segue pela Rua das Laranjeiras até o finado Mercadinho São José, e volta para o Baixo Gago, onde acontece a dispersão.

Simpatia É Quase Amor – no dia 15 de fevereiro (sábado), às 16h, na Praça General Osório, em Ipanema. A concentração acontece a partir das 14h.

Depois da polêmica sobre o horário de saída do Simpatia é Quase Amor, o bloco transformou a tentativa de intervenção do prefeito em samba. “Não põe hora no meu bloco” é o título do hino que irá embalar os desfiles nos dias 15 e 23 de fevereiro, às 16h, com concentração às 14h. A crítica vem em meio a versos que reverenciam Chico Buarque (“Eu faço samba e amor até mais tarde / Quem é você pra querer mandar em mim?”), Aldir Blanc – que batizou o bloco – e Beth Carvalho, que já gravou samba do Simpatia (“Vais me pagar, pode chorar /Não põe hora no meu bloco… Vou festejar”). A letra saiu do encontro de vários compositores, semana passada no bar Paz e Amor, como tem acontecido desde o ano passado. Mesmo com toda a crítica ao ato autoritário do prefeito, o samba manteve as características do Simpatia: sambas harmoniosos e beleza rítmica, que destacam a beleza e as coisas boas do Rio. O Simpatia desfila há 36 anos pela orla da praia de Ipanema. E este ano traz uma novidade: a nova porta-bandeira do Simpatia é a musa da Mangueira, Juliana Diniz, sobrinha de Leila Diniz. Juliana desfilou pela primeira vez no bloco aos 15 anos e, hoje, aos 48, recebe a bandeira de Claudia Costa, no posto há quase 30 anos e que assumirá outras funções no bloco. Quem faz par com Juliana é Marco Rodrigues, o Marquinhos, que já foi o primeiro mestre-sala da verde e rosa, e quem desfilou com ela no Simpatia há 33 anos.

16 de fevereiro

Gigantes da Lira (infantil) – no dia 16 de fevereiro (domingo), às 9h, na Pracinha Jardim Laranjeiras (Rua General Glicério, em Laranjeiras). A concentração acontece a partir das 8h.

O bloco infantil Gigantes da Lira desfila neste domingo, a partir das 8h, na Pracinha da General Glicério, em Laranjeiras, com o enredo “Ziriguidum sideral na lira dos Gigantes”, que traz como inspiração o céu, infinito brilhante da constelação da Lira, para o imaginário da trupe, das crianças e seus foliões.

Suvaco do Cristo – no dia 16 de fevereiro (domingo), na parte da manhã, em frente ao Bar Joia, na Rua Jardim Botânico.

O Suvaco do Cristo, bloco querido do Jardim Botânico, vem com o enredo “Águas de Fevereiro”, com samba de Bráulio Tavares, Mu Chebabi e Roberto Moreno. Uma curiosidade é que Cynthia Howlett completa 20 anos como porta-bandeira do bloco.

Escravos da Mauá – no dia 16 de fevereiro (domingo), às 17h, em frente à Rua Barão de Tefé, 27, no Centro, bem próximo ao Cais do Valongo. A concentração será às 16h.

O Escravos da Mauá sai em defesa da cultura nacional fazendo críticas aos tempos vividos de censura e falta de apoio à cultura, com o samba “A Flor do Sertão”, de Ricardo Sarmento e Manuela Marinho. “Com enredo que faz da resistência esperançosa do povo do sertão nordestino a inspiração para a resistência nos tempos secos de agora. O bloco sai na direção de outro olhares para a cultura popular brasileira, o samba-xote faz parte disso. Nosso mote é o samba da alegria resistente”, Teresa Guilhon Bastos, diretora do bloco.

CARNAVAL

21 de fevereiro

Bloco das Carmelitas – O bloco, que completa 30 anos, faz seu primeiro desfile no dia 21 de fevereiro (sexta-feira), às 15h, na esquina da Ladeira de Santa Teresa com a Rua Dias de Barros, em Santa Teresa, com concentração a partir das 13h.

22 de fevereiro

Bloco do Barbas – no dia 22 de fevereiro (sábado), às 16h, saindo da Rua Arnaldo Quintela, na esquina com a Rua Assis Bueno, em Botafogo. A concentração é às 14h.

23 de fevereiro

Que Caquinha é Essa? (infantil) – no dia 23 de fevereiro (domingo), às 10h, no Bar Paz e Amor, na esquina das ruas Garcia D’Ávila e Nascimento Silva, em Ipanema.

Que Merda é Essa? – no dia 23 de fevereiro (domingo), às 13h, no Bar Paz e Amor, na esquina das ruas Garcia D’Ávila e Nascimento Silva, em Ipanema. A concentração está marcada para às 12h.

Simpatia É Quase Amor – no dia 23 de fevereiro (domingo), às 16h, na Praça General Osório, em Ipanema, com concentração a partir das 14h

Bloco Virtual – no dia 24 de fevereiro (segunda-feira), às 9h, na Praça do Leme, com concentração às 08h.

25 de fevereiro

Bloco das Carmelitas – O bloco, que completa 30 anos, faz seu segundo desfile no dia 25 de fevereiro (terça-feira), às 10h, saindo do Largo do Curvelo. No segundo desfile do Carnaval, o bloco desce a Rua Joaquim Murtinho e vai até as Escadinhas de Santa Teresa. A concentração começa às 08h.

Meu Bem, Volto Já! – no dia 25 de fevereiro (terça-feira), às 17h, na Avenida Princesa Isabel, esquina com a Rua Barata Ribeiro, em Copacabana, com concentração às 15h.

Sobre a Sebastiana

A Sebastiana foi primeira liga formada no período pós-ditadura e está completando 20 anos. A associação reúne agremiações que surgiram nos primeiros momentos da abertura política, ainda nos anos de 1980, e também outras que foram criadas na década seguinte. A Sebastiana trabalha pelo resgate e pela manutenção da tradição do Carnaval de rua do Rio em suas características originais e primordiais: liberdade de expressão, democracia para todos os foliões, pluralidade e valorização da cultura popular. Importante fórum de discussões das questões ligadas ao Carnaval de rua e à cidade, a Sebastiana promove, anualmente, o evento Desenrolando a Serpentina, quando são debatidos temas como o impacto dos blocos na cidade, liberdade e democracia, ocupação de territórios, pluralidade de ritmos e novas agremiações, papel do poder público e os impactos da regulamentação, entre muitos outros.

História

A história da Sebastiana começa com uma reunião realizada no Bar Bip Bip, conhecido reduto de sambistas, jornalistas e músicos em Copacabana. Estavam lá representantes do Simpatia É Quase Amor, Suvaco do Cristo, Bloco do Barbas, Bloco de Segunda, Imprensa Que Eu Gamo, Escravos da Mauá, Carmelitas, Meu Bem Volto Já, Bip Bip e Clube do Samba.

Naquele encontro, surgiu a ideia de formar uma associação pela necessidade de se buscar, em conjunto, soluções que viabilizassem a infraestrutura e a segurança dos desfiles que começavam a crescer demais. Não se imaginava, naquele momento, que o Carnaval de rua chegaria aos milhões de foliões. Na época, segurança, organização do trânsito e banheiros químicos eram as principais necessidades identificadas pelo grupo.