Em uma atmosfera social em que a arte, assim como a ciência e a aducação, precisam ser defendidas de vários ataques, com ecos e atos de censura se disseminando cá e acolá, o carioca, ora radicado em Cuiabá, Zeh Gustavo, lança, no Rio de Janeiro, no dia 1/10, terça-feira, seu novo livro: “Contrarresiliente” (Editora Viés). Equilibrando lirismo e manifesto, “Contrarresiliente” – o primeiro livro de Zeh desde “Eu algum na multidão de motocicletas verdes agonizantes”, vencedor do Prêmio Lima Barreto da Academia Carioca de Letras – carrega uma marca de nascença: a busca por uma poética antibarbárie e libertária.

SOBRE O LIVRO
Um livro de poesia como “Contrarresiliente” já nasce ultrajado pelas suas parcas condições de circulação e sob o vilipêndio da inutilidade. Requer, pois, sua feitura, um tesão ímpar: o de apresentar, diante da maré arredia, um peixe que nada num sentido que lhe é estranho. Na rede da resiliência, reza o receituário à disposição do indivíduo que se refastela afogado na correnteza: cuide-se, trate de melhorar, superar, dar aquele upgrade e seguir. Ainda que em caso de topada, de uma tragédia parente, de um massacre diário; ou mesmo de uma cisão da sociedade em nome da ascensão de monstrengos fascistas, fundamentalistas religiosos ou idiotas empoderados. “Aceita que dói menos”, diz o conselho de algum conterrâneo crápula (quem hoje não o tem, quando “tá na moda ser um canalhinha”?). Ou o livro de autoajuda. Ou o especialista em saúde de portais que nunca se abrem senão para um breve like. Se um caráter resiliente molda o indivíduo para a sua adequação – o que, em tese, sempre se faz necessário à vida em sociedade –, um outro, contrarresiliente, ora anuncia, em versos, seu método: não conformar a carne tampouco o gesto tampouco o grito. Reverberrar. Poética e aproximadamente: resistir, a apurar o faro no brio-brilho da lâmina com que se corta a veia do caudaloso rio das bestas, que tudo ameaça tomar.

SOBRE O AUTOR
Zeh Gustavo é músico, escritor, revisor. Mexe com poesia, canto, letra, conto. Dividido entre duas cidades, Cuiabá e Rio de Janeiro, faz parte do Terreiro de Breque e do Triuaipi. Publicou, além de participações em coletâneas como “Porremas” e “O meu lugar”, os livros “Eu algum na multidão de motocicletas verdes agonizantes”, “Pedagogia do suprimido”, “A perspectiva do quase” e “Idade do Zero”.

CONTRARRESILIENTE: lançamento do livro
Terça, 1/10, 19h
Casa Porto
Largo São Francisco da Prainha, 4, sobrado
Saúde, Rio de Janeiro