O Dia Nacional do Samba será comemorado de forma especial no Engenho de Dentro no dia 2 de dezembro.  O Samba da Feira recebe Monarco e sua  neta Juliana Diniz, afilhada de Zeca Pagodinho.  A dupla se apresentará nos Armazéns do Engenhão, localizados na parte externa do Estádio Nilton Santos, dia 2 (sábado). Apresentação será ao lado do grupo base do Samba da Feira, o Grupo Bororó, das 15h às 23h, com entrada gratuita.
Pelo Samba da Feira, já passaram muitos craques: Vou Pro Sereno, Xande de Pilares, Reinaldo, Noca da Portela, Leandro Sapucahy, Revelação, Arlindinho, Marquynhos Sensação, Marquinho PQD, Juliana Diniz, Samba Xoxo, Samba do Chapéu, Soul mais Samba, João Martins, Renato da Rocinha, Grupo do Arruda, Renato Milagres, Rafael Bezerra, Familia Macabu, RDN, Fundo de Quintal e Diogo Nogueira. Entre outros.
A roda, que começou despretensiosamente no quintal de uma casa em Piedade, agora é programa certo para famílias inteiras, das crianças aos idosos. São mais de 500 pessoas por sábado. Ao longo de quase dois anos, mais de 30 mil pessoas já curtiram o Samba da Feira. E todo esse sucesso sem patrocínio! Só mesmo com o suor e a criatividade de Mario Castilho, Diogo Viana, Eduardo Zebral, Marco Veiga e Rodrigo Guedes, amigos e sócios na empreitada – profissionais de diversas profissões: de administrador de empresa a servidor público e autônomo.
Além de ser a melhor opção de lazer para a galera do subúrbio – evento gratuito, com infraestrutura e segurança –, o Samba da Feira é também uma oportunidade de movimentar a economia local e dar oportunidade de trabalho e negócios para muita gente: músicos, equipes de bar, empresas de aluguel de cadeiras, banheiros químicos, entre outros.
Juliana Diniz
A cantora Juliana Diniz tem o samba nas veias e não nega suas raízes, mas, quando se é filha de Mauro Diniz, mestre do cavaquinho, neta de Monarco, baluarte da Portela, e afilhada de Zeca Pagodinho, o sambista mais pop do País, impressionar o amigo Max Pierre, diretor da gravadora Universal, significa carimbar o passaporte para o sucesso.
Ela ganhou oportunidade rara em uma época em que as gravadoras evitam investir em novos nomes e dois anos depois, lançou agora seu primeiro CD. A expectativa é chegar ao Disco de Ouro até o fim do ano com o álbum que inclui inéditas de Paulinho da Viola, Marisa Monte e Arnaldo Antunes. “Sou uma privilegiada. Comecei um pouco mastigada, não batalhei muito para conseguir isso tudo”, admite, hoje aos 18 anos, ciente do poder de sua linhagem. “Não podia dar em outra coisa. Além de ter uma voz angelical, ela é do meio, da raiz, não é um produto fabricado. Abram alas que a Juliana vai passar!”, diz Zeca Pagodinho.
Criada ouvindo o melhor do samba carioca, a cantora aprendeu a gostar também de outros ritmos. Seu inseparável discman prova o ecletismo: há de Hip Hop a Sandy e Junior. Ela consegue, porém, se ver cantando em outra freguesia. Grande parte do público já a conhece graças a um pequeno papel em Senhora do Destino. Ela era a assanhada Larissa, que vivia aos beijos com Shao Lin (Leonardo Miggiorin).
Monarco
Hildmar Diniz, o Monarco, é um cantor e compositor brasileiro que foi discípulo de Paulo da Portela. Com mais de 10 álbum gravados e um DVD, Monarco começou sua carreira musical em 1950 quando foi convidado a integrar a ala de compositores da Portela. Mais tarde, se tornou líder da velha guarda e também diretor de harmonia da escola.
Nunca chegou a ganhar uma disputa de samba-enredo, mas conseguiu consagrar sambas “de terreiro” ou “sambas de quadra” e logo torna-los emblemas do patrimônio cultural coletivo dessas associações.
Uma das mulheres que fizeram parte desse trajeto foi Marisa Monte. Em 1999 a cantora convidou o portelense para uma participação em seu álbum e em 2008 produziu o documentário “Mistério do Samba”, dirigido pelos cineastas Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor. Monarco participa oferecendo relatos de sua história de vida e seus testemunhos pessoais sobre a história do samba no Rio de Janeiro. A produção, que levou 10 anos para ser finalizada, foi incluída na seleção oficial do Festival de Cannes.
Após uma vida de sucessos, em 2015 , o álbum “Passado de Glória – Monarco 80 anos” foi premiado no 26º Prêmio da Música Brasileira na categoria “Melhor Álbum de Samba”.
História
O projeto teve seus primeiros passos dados por um grupo criado no aplicativo WhatsApp chamado “ Bororó Produções”.  O grupo reunia-se frequentemente, na casa de um de seus integrantes para tomar uma cerveja, tocar um bom samba e se divertir. O local mais frequente para esses encontros era na rua Teresa Cavalcante, em Piedade, casa de Mario Castilho, que costumava acordar cedo, preparar uns camarões e ouvir um bom samba no quintal, enquanto acompanhava o movimento da feira que ocorre todo sábado, na rua onde mora.
Pintou, então, a ideia de comprar um barril de chopp e deixar as portas da garagem abertas para quem quisesse parar e curtir o samba. Surgia assim o Samba da Feira, que estreou no dia 14 de maio de 2016. O barril logo virou vários, tiveram de providenciar espaço para os barraqueiros e para a galera que só aumentava a cada dia de feira. Não demorou para o samba, que ia das 10h às 16h, virasse febre e atraísse público do bairro e das adjacências.
O evento cresceu, e vieram os problemas: reclamações de vizinhos por causa do barulho, reclamações dos feirantes… Foram conversar com o administrador regional da XIII R.A. e receberam a oferta de fazer a roda nos Armazéns do Engenhão, localizados na parte externa do Estádio Nilton Santos. A continuidade do projeto estava assegurada.
“No dia 3 de dezembro de 2016, migramos para nossa nova casa, mantendo nossas premissas e filosofias podendo oferecer um pouco mais de comodidade e conforto para todos. Conseguimos maximizar nosso público e alavancar nosso plantel de convidados”, comemora Castilho. E conclui: “Enquanto o samba for capaz de curar almas feridas, revigorar estruturas, reacender luzes, reencontrar caminhos e transcender prazeres, não mediremos esforços em persistir e preservar com nossos ideais”.
 
Serviço:
Samba da Feira recebe Monarco e Juliana Diniz
Sábado, dia 2 de dezembro de 2017, das 15h às 23h
Local: Armazéns do Engenhão
Endereço: (Pça do Trem – em frente à Estação Engenho de Dentro)
Entrada franca
Classificação livre