Tem Mineiro no Samba

O nosso papo é com um típico mineiro, observador, quietinho, criado no samba, poeta educado, que sabe entrar e sair de qualquer lugar. Altair Pinho Barbosa, 55 anos, ou, simplesmente, Altair Barbosa, que chegou ao Rio de Janeiro em 2006, e, depois de uma década nos sambas da cidade, está aí com o seu primeiro CD , independente, “Meus Batuques”, com participação do conterrâneo Toninho Geraes, com músicas como “Luz de Deus” que já estão na boca do povo. É só chegar na roda do Samba na Fonte, na Lapa, ou no Velhos Malandros , para ouvir todos em coro entoando essa e outras pérolas do compositor romântico que circula fácil pelas rodas de samba do Rio de Janeiro.

1- RS Você já trabalhava com samba em Minas Gerais ou tinha algum outro trabalho?

Altair – Comecei a trabalhar cedo, aos 12 anos, na oficina do meu pai. A música sempre esteve presente, nas batucadas desde criança pelo bairro. O samba veio com tudo mais tarde.

2 – RS Você participou de um grupo de samba em Minas, que teve uma boa projeção. Fale um pouco sobre como foi.

Altair – É verdade. Foi o grupo “Capricho”, que teve bastante expressão em Minas. Gravamos um CD bacana também, que teve apoio total do Geraldo Magela, o “Ceguinho”,que ajudou a dar uma alavancada boa na vida de cada um dos integrantes e no samba de Belo Horizonte, tendo projeção em várias cidades mineiras e também no Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia.

3- RS Como foi chegar no Rio? Quem o recebeu?

Altair – Chegar ao Rio com o sentimento de querer ficar, de poder ficar foi emocionante. Encontrei um amigo de Minas, o Cabral, também compositor, que me apresentou o Bira da Vila, que me ajudou a dar os primeiros passos no samba aqui na Cidade Maravilhosa.

4- RS Desde quando você faz parte do Movimento Samba na Fonte? Qual a importância do grupo na sua carreira?

Altair – Eu faço parte do Samba na Fonte desde a segunda roda do projeto. Fui convidado pelo amigo DiCaprio(Raul DiCaprio). O projeto é a minha base aqui no Rio de Janeiro. São dez anos que estamos juntos, maravilhosamente bem.

5- RS Seu primeiro CD foi lançado em 2016? Foi a realização de um sonho?

Altair – “Meus Batuques” , meu primeiro CD, com certeza foi a realização de um sonho e com muita felicidade, estamos na luta.

6- RS Quando sai o próximo?

Altair – Eu ainda não posso falar em próximo CD. O “Meus Batuques” está tendo uma repercussão bem legal e eu já pedi mais mil CDs, para atender a fila de espera, que tem pedidos desde antes do Natal. E sendo assim , o próximo trabalho ainda não tem data. Vamos de “Meus Batuques”, um projeto feito com a força de muitos amigos. Não vou citar nomes, mas quem ajudou sabe. Agradeço a todos. É uma luz de Deus.

7- RS Como é compor pra você? Como é o processo? Tem algum? Ou é algo que flui?

Altair – Neste lance de compor, nós somos mensageiros. A gente recebe essas mensagens. A gente não cria. Elas vem para gente. E meta para isso não existe. Acontece(rsrs).

8- RS Como você vê o espaço pro samba hoje?

Altair – O espaço do samba hoje, vejo como sempre vi. Aquele que trabalha sério, que trabalha forte, está sempre encontrando um espaço para fazer o seu samba, para cantar a sua música. Acho que é trabalho, trabalho, trabalho. Nada mudou(rsrs)

9- RS Como é trabalhar com samba? Você acha que o sambista tem o reconhecimento que merece?

Altair – Trabalhar com o samba é maravilhoso. É a minha vida. Minha satisfação, o meu prazer. Eu acho que, em relação ao reconhecimento, ao merecimento, acredito que tenhamos que cuidar um pouco mais para fazermos mais por merecer. É só isso: Trabalhar. trabalhar, trabalhar.

10- RS No Samba na Fonte, o chamam de sambista romântico. É isso mesmo?

Altair – Esse título de compositor mais romântico do Samba na Fonte veio por intermédio do meu “cumpadre” Pakato do Cavaco. Eu acho que tem a ver , eu sou um eterno apaixonado(rsrs).

Conheça um pouco do trabalho do sambista Altair Brabosa